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por último, e sobre o fazer

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"the hand is the window on to the mind"
Esta frase é do filósofo Immanuel Kant e escrevo-a aqui não porque saiba muito de filosofia (infelizmente sou muito ignorante nesta parte do Conhecimento) mas porque ao ler um artigo há uns dias atrás sobre arte e artesanato surgiu a questão do dito "handmade" que por aqui está a ser moda.
No mesmo artigo lia-se ainda o seguinte "It is only through making things, he (o autor) says – by trying and failing and repeating – that we gain true understanding. He is not, like some latter-day John Ruskin, arguing that handmade things are better than machine-made ones. He is simply saying that skilled manual labour – or indeed any craft – is one path to a fulfilling life".
Não fazia a mínima ideia de quem era o John Ruskin (sorry). E se bem entendi o cerne da questão, não tem discussão, não se trata de estar a comparar o que é melhor ou pior. O que acho mesmo é que tem toda a razão quando diz que é ... one path to a fulfilling life. Caminho que provavelmente levaria a que houvesse mais pessoas felizes e menos pessoas com depressões como é tão comum ouvir hoje em dia. 
Fui procurar definições de artesanato e arte e embora o significado de uma e outra não me fosse desconhecido, procurando as definições tomo melhor consciência do lugar de cada coisa quando observo algo e faço o exercício de o catalogar.
Chego à conclusão que muitas vezes é difícil porque a criatividade e o apreço do artesão em fazer o "objecto" é tão original e única que não há máquina que o substitua e assim sendo fico na dúvida se não estarei perante arte.
Em Cambridge foi um sítio onde dei por mim a achar que o artesanato é tratado por "tu" como se costuma dizer. Não queria cometer a parolice de dizer que "lá fora" é que é bom mas pareceu-me que é apreciado de uma forma diferente, "natural", e acho que não reparei em ninguém a franzir o nariz e a dizer que era muito caro como já me disseram a mim num mercado ... " ... é mais caro porque é feito à mão não é? Pois o vestido é muito giro mas por esse preço não queroi. Obrigada". Pode ser que um dia esta mentalidade mude num país onde todos parecem querer ser "doutores" esquecendo que os cursos ditos "profissionais" eventualmente podem ser tão ou mais importantes nos dias que correm em que temos tantos doutores à procura de emprego ( ... convém esclarecer que não tenho nada contra os "doutores" mas gostava que também valorizassem mais os "ofícios").
Por último (que a divagação já vai longa e já é tarde e eu estou cansada) ficam as imagens que me inspiraram. Gosto de várias das exposições e ideias. A registar o Arts & Crafts Market considerado um dos 10 melhores no género no Reino Unido e outra tem a ver com algo semelhante a um behind the scenes ao vivo explicado aqui Cambridge Open Studios  ... muito à frente 
(Nota para não me esquecer: assim que me conseguir entender com o blogger o menu "handmade" muda de nome. Desde o início que procurava uma palavra melhor e agora já sei qual vai ser ...  :) )

comércio local

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Faz hoje uma semana que voltámos de Cambridge. Tenho andado entretida com outras coisas e dá-me a preguiça de vir aqui mas o texto anterior não está completo e quanto mais não seja para minha memória futura há dois assuntos que merecem registo.
A continuação que me parece mais óbvia tem a ver com a quantidade de lojas que transformam o comércio tradicional de Cambridge num passeio muito agradável e irresistível para qualquer bolsa com os "cordões mais abertos".
Ao contrário do que observo em Lisboa (e principalmente no bairro onde vivo onde toda a gente se queixa porque está tudo a encerrar de vez) em Cambridge as lojas de rua estão abertas todos os dias da semana sem excepção. São pequenas e acolhedoras sem layouts de franchising todos iguaizinhos que é uma verdadeira seca.
E, embora não tenha nenhuma imagem aqui, há n negócios de bancada de rua que são encantadores e com um atendimento super simpático, económicos e com bom aspecto.
A variedade de ofícios também é interessante, a loja de chapéus da quarta fotografia e o "Tailor and Cutter" da última fizeram os meus encantos. Principalmente esta última que faz com que continue a sonhar com uma versão no feminino.
Mas há muito mais que não mostro aqui, as pequenas mercearias, as livrarias, e muitas, muitas mesmo, lojas de produtos feitos à mão de que hei-de falar a seguir.

Cambridge

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Mais british é impossível.
Ficámos num hotel super agradável a uma walking distance de cerca de 20 min do centro da cidade.
Acordávamos no silêncio do campo e seguíamos para um pequeno-almoço óptimo com handmade muesli, brown bread torrado na hora, orange juice acabado de espremer e outras coisas assim do género.
Enquanto os gentlemen e algumas ladies liam os seus jornais da manhã uma senhora cuidava de regar as plantas e retocar os arranjos de flores dentro de casa (as flores por todo o lado fizeram os meus encantos ...). Eu diria que parecia uma cena de filme ...
Pouco mais tarde enquanto caminhávamos ao longo da estrada debaixo de uma chuva miudinha dava para observar as cottages que me lembram sempre as descrições da Agatha Christie nos livros da Miss Marple.
O verde dos jardins e as cores contrastantes das flores são uma constante.
Pelo caminho passávamos por alguns pubs, e depois de atravessar o rio íamos dar à zona central completamente cheia de pequenas lojas e pessoas pelos passeios e pela rua. Preços mais modestos tendo em conta o que é habitual encontrar em Londres.
Encontra-se tudo o que é característico e que vemos nos postais turísticos, desde os marcos dos correios, até aos milhares de bicicletas estacionadas por todo o lado, os anúncios de mil e um eventos e os monumentos austeros dos diversos colégios (desta vez a lembrar as descrições dos livros do Harry Potter).
As livrarias são de perder a cabeça e o verdadeiro handmade sem ser uma moda como está a acontecer por cá vale é verdadeiramente incentivado e vale bem a pena conhecer. Para mim aquilo a que alguns apelidavam como handmade já entrava no capítulo da arte (... mas enfim, se calhar sou eu que ainda sou pouco exigente quando se trata de arte).
E como não podia deixar de ser até encontrámos um local chamado "Portugal Place".
Ainda não registei tudo. Mas posso dizer desde já que fiquei fã de Cambridge, que adorei conhecer, e que eu era pessoa para passar aqui uma temporada como estudante de qualquer coisa.
Este relato há-de continuar em mais um ou dois capítulos seguintes ...

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