Há uns tempos atrás estive no Porto.
Andámos por sítios que nunca tínhamos visitado.
Sem pressas, nem deveres ou obrigações, andámos ao acaso.
Não fixei os nomes das ruas. Ficou a memória do enorme prazer daqueles momentos e ficou algo bem menos efémero que não podia deixar de registar aqui.
Uma espécie de alegria parecida com a das crianças quando, sem saber como nem porquê, encontram um brinquedo de que gostam muito que não estavam minimamente à espera de ganhar.
Numa loja que mais parecia um bazar, de tanta tralha e tão variada, à procura de figurinos antigos dos anos 50 e 60 numa grande gaveta junto ao chão, bem lá no fundo onde a maior parte das pessoas já não se atreve a mexer por causa do pó, vislumbro uma palavra familiar.
Puxo com cuidado e aparece-me uma pasta bem velhinha, muito manchada, até maltratada, e à qual não consegui resistir.
Tem "título", tem o local, tem uma data, e tem o nome de alguém que não faço a mínima ideia quem tenha sido.
É um registo incrível de um trabalho muito cuidadoso e muito bem feito.
Tenho imensa pena que se abandonem coisas assim.
Não quis saber se seria possível restaurar. Trouxe-a comigo na mesma. Em último caso fica assim e arranjarei uma forma de a guardar para servir de exemplo a mim ou a mais alguém que tenha curiosidade em a ver.
Com cuidado fui virando as páginas e não faltava nenhuma. As fotografias seguintes são algumas das amostras. Não consegui fotografar só duas ou três.
Não sei qual foi a nota que a Amélia teve no final do ano lectivo, mas se fosse eu a dar a classificação ter-lhe-ia dado 20 valores ou um Muito Bom.
A simplicidade e a delicadeza de todo este trabalho incrível encantam-me.
E a última amostra da fotografia final ensina-me, mais uma vez, que a beleza das coisas simples é algo que não se explica.
Fica-me o privilégio de poder olhar para algo assim.
Mostrar mensagens com a etiqueta Porto. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Porto. Mostrar todas as mensagens
pelo Porto
translate to
English
... mais precisamente pela Rua das Flores até à Ribeira.
O Porto cada vez melhor. Numa mistura entre a cidade antiga e o bom gosto da recuperação na medida certa do que pode ser o comércio tradicional. Uma cidade feita de detalhes que apetece fotografar. O sotaque sempre igual de quem diz o que lhe vai na alma.
Não me canso de lá voltar. E cada vez que volto é uma agradável surpresa.
"preciosidades"
translate to
English
Estou a chegar à conclusão que tenho umas preciosidades nos últimos tecidos que comprei.
Tenho reparado nas etiquetas que acompanham as peças e em comum têm o facto de quase todas, se não forem todas mesmo, pertencerem a fábricas ou revendedores que estavam localizados a norte do país.
A grande maioria faz referência ao Porto. Uma delas, a Bernardino Leite de Faria & Ca. que se dedicava ao comércio de têxteis por grosso, estava situada na Sé e tinha como morada a Rua Mousinho da Silveira 230.
Estando no Porto há uns dias atrás era muito difícil não satisfazer a curiosidade de procurar esta morada e descobrir o que tinha acontecido a estes senhores. Será que ainda tinham loja aberta? Será que iria encontrar mais um daqueles lugares que pararam no tempo com coisas de antigamente à espera de serem redescobertas? Algures descobri que pelo menos um deles com o mesmo nome, em 1903, era o sócio efectivo nº 116 da Associação Comercial do Porto com morada no mesmo local.
Mas tive azar. O que descobri foi um edifício branco de portadas verdes, bem bonito, fechado, à espera de ser arrendado. E não faço a mínima ideia se esta história acabou aqui ou se teve continuação em algum lugar que eu desconheço. Ficámos um bocadinho por ali a olhar para ele a assimilar a nossa decepção.
Provavelmente quase todas as referências que tenho encontrado nestas etiquetas de tecidos antigos tiveram o mesmo destino, mas enquanto não tenho a certeza vou pesquisando (como amadora, claro!) com esperança de encontrar alguma que ainda funcione e talvez ainda tenha mais algumas "preciosidades" à minha espera. Gostava de saber um pouco mais sobre estes tecidos fabricados por cá noutros tempos. Onde iam buscar os padrões? Quem os desenhava? Quais as matérias primas que utilizavam? ...
Entretanto, a própria Rua Mousinho da Silveira é uma "preciosidade" de lojas antigas fechadas. Tive a satisfação de fotografar as montras e a frustração de não poder entrar para descobrir o que vai dentro destes sítios parados no tempo à espera de alguém que os recupere.
azulejos e crochet
translate to
English
Outra das minhas "pancadas" é esta fixação com azulejos.
Principalmente os mais antigos, quando olho para eles dou sempre por mim a pensar em esquemas de rosetas de crochet. Na Baixa de Lisboa há imensos que tenho fotografado. Poderiam servir de exemplo para quem quisesse dedicar-se a fazer um livro de esquemas de crochet com rosetas inspiradas nos azulejos de Lisboa. :)
Enfim, parando com os devaneios, isto para dizer que esta semana demos um "pulinho" até ao Porto. Entre outras coisas de que deixarei registo mais tarde trouxe a memória destes azulejos que fizeram os meus encantos, pela cor (gosto de amarelo), pelo relevo, e pelo esquema em flor que traduzido para uma roseta ficaria um espectáculo em qualquer sala portuguesa que se preze de ser "às antigas" :)
Pancadas ... :)
Principalmente os mais antigos, quando olho para eles dou sempre por mim a pensar em esquemas de rosetas de crochet. Na Baixa de Lisboa há imensos que tenho fotografado. Poderiam servir de exemplo para quem quisesse dedicar-se a fazer um livro de esquemas de crochet com rosetas inspiradas nos azulejos de Lisboa. :)
Enfim, parando com os devaneios, isto para dizer que esta semana demos um "pulinho" até ao Porto. Entre outras coisas de que deixarei registo mais tarde trouxe a memória destes azulejos que fizeram os meus encantos, pela cor (gosto de amarelo), pelo relevo, e pelo esquema em flor que traduzido para uma roseta ficaria um espectáculo em qualquer sala portuguesa que se preze de ser "às antigas" :)
Pancadas ... :)
Serralves
translate to
English
Sempre gostei de visitar casas antigas e imaginar como viveriam as pessoas que lá moravam. Serralves dá-nos o dois em um, ou melhor, três em um se incluirmos os jardins fantásticos. Art déco já no seu final, mas do melhor que se fez por cá. Mandada construir pelo Conde de Vizela só em 1944 ficou concluída por causa das interrupções com a Guerra.
Ao mesmo tempo Fundação e Museu de Arte Moderna e Contemporânea.
Final da tarde, bebemos café na Casa de Chá que servia de apoio ao campo de ténis, e depois seguimos os caminhos até à Casa de Serralves.
Lemos um pouco da história deste lugar e depois foi entrar em cada sala e em cada quarto e imaginar como deve ter sido. Muito à frente do seu tempo pelo menos naquilo que era habitual para o português de meados dos anos 50!
loja Armazém dos Linhos
translate to
English
Para terminar o meu CraftyTour e encerrar o capítulo da nossa visita pelo Porto:
Descemos a Rua de Sta Catarina, e quase a seguir ao café Majestic, do lado direito viro para a Rua Passos Manuel.
Andando um bocadinho, mesmo na esquina, fica o Armazém dos Linhos.
A montra merece ser observada e é uma promessa do que encontramos quando entramos.
Dá prazer andar por aqui e conversar com quem nos atende.
loja Botónia
translate to
English
Continuação do meu CraftyTour ...
Depois de comprar as lãs saí da Praça Carlos Alberto e entrei na rua da Cedofeita.
Do lado esquerdo, logo ao início, encontra-se a casa Botónia.
Para quem gostar de botões deve visitar.
Além dos botões tem uma boa colecção de alfinetes de peito, de todo o género, e para todos os preços.
Tivemos um breve "momento": a Marta e a Mariana estavam comigo a dar opiniões ao mesmo tempo, sem estarem de acordo uma com a outra, nem comigo. Mesmo assim acabou tudo em bem. Decidi eu, e viemo-nos embora com alguns resmungos mas sem problemas de maior.
loja Lopo Xavier & Cª Lda
translate to
English
Quem se interessa por estas coisas sabe que existem algumas lojas que acabam por ficar como referência.
Como é habitual comecei por um simples search e acabei por encontrar as palavras chave "crafty tour Porto". A partir daí foi fácil encontrar algumas das lojas que visitei.
Também foi de forma semelhante que há tempos atrás descobri o site http://www.knitmap.com/. Nos últimos 2/3 anos sempre que planeio uma viagem, a visita a estas lojas passou a fazer parte do roteiro. Ao planear uma das últimas visitas a Madrid foi através deste site que procurei lojas de lãs e encontrei pelo menos uma que gostei sem ter que gastar muito tempo à procura.
Gostava de saber se existe algum site do género sobre tecidos ou sobre botões. Até à data não encontrei nada.
No caso do Porto não foi preciso recorrer ao "knitmap". Bastou-me escrever as ditas palavras e encontrei vários grupos/blogs que referem várias lojas.
A loja Lopo Xavier fica na Praça Carlos Alberto e foi onde comprei as lãs que mostrei.
Entrar lá dentro é voltar um bocadinho atrás no tempo. Como eu gosto, às antigas.
Não podia ter sido melhor atendida. Esta franqueza que caracteriza o norte e a eloquência, simpatia e paciência (acho que estes adjectivos chegam ...) com que puseram quase metade das lãs, que estavam na prateleira, em cima do balcão de madeira corrido não permitiram que saísse da loja de mãos a abanar.
Pelo contrário, "... vai dar para fazer uma boa mantinha para lhe aquecer as pernas no Inverno".
A Marta estava comigo e ajudou-me a escolher porque a minha cabeça não estava a conseguir processar tanta informação.
Também fui convidada a fotografar os "painéis" (é assim que se chama?) que estão por cima das portas. Nem era preciso dizer, reparei neles assim que entrei: "Têm mais de 70 anos, sabe minha menina!" ... memórias de outros tempos com hábitos que hoje estamos a recuperar :).
Então aqui fica uma das lojas do meu CraftyTour pessoal.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
















































