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Goa

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Depois de 28h de viagem e com mais 5h30m de diferença horária chegámos a casa e deixámos Goa.
É nestas alturas que me apetece voltar atrás no tempo. No século XIX quando começaram a viajar em férias marcava-se o dia de partida, mas o dia da chegada dependia do tempo que se ia ficando e dos transportes disponíveis que não eram tantos como hoje.
Agora vivemos muito depressa e é dificil habituarmo-nos a estas mudanças tão bruscas.
Enquanto me adapto tento organizar as mil e uma fotografias.
Para já escolhi estas que são algumas dos passeios que fizemos.
Disseram-me que Goa é diferente do "resto" da India, mas para melhor.
Não conheci o "resto" e entre coisas boas e outras menos boas olhando para as imagens que tenho vejo que reflectem principalmente o caos e a pobreza em que a grande maioria dos indianos vive.
Por outro lado, não mostram o sabor das comidas (picante e bem apurado, que é óptima mesmo), a temperatura e o clima fantásticos desta altura do ano, e ainda bem que não se sente o cheiro que deixa uma sensação de náusea e que logo desde o início exige alguma habituação.
A palavra "caos" deve ter sido inventada aqui. E logo a seguir devem ter inventado a palavra "lixo". Há regras mas não são aquelas a que nós estamos habituados: toda a gente buzina por tudo e por nada, não há prioridades, nem sentidos obrigatórios, nem capacetes de protecção, nem limites à quantidade de pessoas que podem ir em cima de uma mota (pai, mãe, bébé, e filho de 3 ou 4 anos, todos agarradinhos e a "abrir"). As vacas (animal sagrado) passeiam por onde querem. Se alguém decidir sentar-se a descansar na berma da estrada a seguir a uma curva não é problema. O lixo larga-se por todo o lado onde se quiser sem apelo nem agravo. Todos os preços são discutíveis. A música se não for indiana é dos anos 80. Levantar dinheiro num ATM pode ser uma aventura. Trocar euros por rupias é uma variável em constante mudança. Sermos olhados com a cobiça de "quanto posso ganhar com este" só deixa de ser assim quando entramos no avião para voltar. Vemos "hippies" ocidentais que já devem ter os seus 60/70 anos e que estão de passagem à procura das memórias da juventude. E vemos os novos "hippies" do século XXI. Ao fim de algum tempo até consigo perceber mais ou menos porque é que esta gente chega aqui e se passa e não sai de cá. O Bollywood alienante está em todas as televisões. Há "cromos" que não sei de onde saíram.
A religião é intensa e variada, cristã, hindu, ou muçulmana. A espiritualidade é muito forte.
A primeira impressão da India é mesmo esta, brutal e assustadora aos nossos olhos de "europeus", um assalto aos sentidos, e sentimos que um bocadinho de nós (pelo menos para alguns) mudou só por chegar até ali e ser confrontado com isto..
Não sei se serei capaz de mostrar a outra parte que me atrai e que me fascina.
O meu lado romântico a tapar o lado racional.
Se alguém me perguntasse se recomendaria como destino a um amigo, não sei responder.
Antes de ir, sabia dizer logo que sim. Agora, confesso que não sei.
No entanto, se tiver oportunidade, tenho a certeza que eu voltarei à India.

preparativos de viagem

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Se tudo correr bem daqui a poucos dias estarei a caminho de um dos sítios que toda a vida quis visitar.
Por pouco tempo é verdade, mas uma semana será suficiente para me permitir conseguir realizar um desejo que desde sempre me lembro de dizer que gostaria um dia de concretizar.
Entre os preparativos habituais gosto sempre de escolher um novo projecto de tricot que me ajude a passar o tempo nas longas horas de avião que me esperam.
Na procura pelo dito folheio livros cá de casa e procuro inspiração pela net.
Estes dois livros já estão cá em casa há uns tempos e são dos melhores que comprei. No primeiro há o modelo da segunda fotografia de que gosto muito e que é um forte candidato.
Também adoro este colete com a lã Cobertor. Este efeito escovado sugerido pela Rosa Pomar é das coisas mais geniais que tenho visto nos últimos tempos. Pode ser que seja desta que retome finalmente o colete que comecei a fazer para a Marta no ano passado.
Entre o Pinterest e o Ravelry há mais projectos que tenho em lista de espera, mas como de costume não consigo decidir-me e como de costume vou andar até às últimas para escolher o eleito que me vai acompanhar até à India.

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