A minha família respira de alívio. E eu também.
Entreguei hoje o último trabalho na faculdade para este ano lectivo.
Além de passar a estar por aqui mais frequentemente volto hoje às outras coisas que deixei a meio, uma manta para a cama do meu filho, um xaile que a simpática e talentosa
Vera me ensinou a fazer na
Retrosaria, e mais uma ou outra coisa.
Durante este tempo que passou foram muitas mais as vezes que peguei nos lápis e nos pincéis do que as que me sentei a costurar.
Mas no final do semestre o projecto final deixou-me matar a saudade pelo gosto em fazer estas coisas.
O exercício baseava-se nos "
ready-made" do
Marcel Duchamp uma forma de arte que desconhecia e que me custa a compreender mas devo confessar que o exercício foi um desafio bem interessante.
Basicamente teria que escolher uma entre algumas peças que nos definiram, pensar nela como uma tela em branco, e mudar-lhe a função. Ah, é verdade, e já agora a questão da sustentabilidade também era importante.
Lembrei-me logo do monte de camisas de homem que vou "coleccionando" por força das circunstâncias.
Depois de voltas e mais voltas com as camisas sobre um manequim cheguei finalmente a uma "solução" que me dizia algo e surgiu esta ideia de transformar (cinco) camisas de homem num vestido e neste alfinete de peito avantajado.
Talvez me tenha desviado um bocadito de nada do dito do conceito puro e duro dos "ready-made" (não sei ...) mas modéstia à parte gostei do resultado final. E devo dizer que como método para a geração de ideias me parece óptimo. E estou a falar a sério :)
Na verdade foram mais do que cinco camisas porque até conseguir acertar com a manga
raglan que decidi aplicar para poder manter a estrutura dos colarinhos houve mais algumas que foram destruídas.
A simplicidade tem muitas vezes um preço alto e neste caso a simplicidade aparente do resultado final esconde várias horas a testar a adaptação de um molde convencional (a da manga
raglan) sobre duas camisas em vez do tecido plano sem cortes.
Mas valeu a pena! Era precisamente este "
thinking out of the box" que procurava e não me posso queixar porque o tive em dose considerável.
Alô família! Ainda estão aí? Estou de volta e obrigada meus queridos pela vossa ajuda para esta tresloucura e pela vossa paciência que às vezes me parece infinita :)
E agora quase férias .... :)