une petite poupée danseuse pour Marta

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A Marta chega hoje depois de uma longa ausência.
Apesar do skype ajudar muito sentimos-lhe a falta.
Cada um à sua maneira adaptou-se aos dias sem a sua presença. Mas sem ela algo parece estar permanentemente incompleto aqui em casa.
A Mariana quis fazer-lhe uma surpresa para a chegada. Quase há dez dias que a sua actividade de final de tarde e algumas vezes após o jantar tem sido fazer esta boneca de feltro. Copiou os moldes desde as peças do corpo até às peças da roupa escolhida por ela. Foi comigo às lojas de Campo d'Ourique escolher as cores e procurar as fitas. Seguindo as instruções, chorou (mais uma perfeccionista ...), sorriu, e sem nunca desistir apesar da dificuldade, cortou, coseu à mão, e juntou todas as pecinhas desde as missangas até aos pedacinhos de tule que atou um a um para fazer o "tutu" (a sua parte favorita) para esta boneca que ainda não tem nome.
Quando chegou ao fim hoje à tarde, orgulhosa do seu feito, não conseguia deixar de sorrir enquanto a virava e revirava nas suas mãos.
Finalmente guardou-a cuidadosamente numa caixa de sapatos, aplicou-lhe uma fita com laço em encarnado, e agora espera ansiosamente pelo momento de a entregar à Marta!
Ainda bem que começou as férias e já não tem aulas senão não sei como seria para acordar amanhã de manhã ... :)

retour à la normale

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Tal como tinha prometido a mim própria voltei às minhas rotinas.
Depois de chegar a casa, antes de começarmos a jantar, à luz do sol de final de tarde que invade a cozinha, dedico-me aos pendentes que andavam por aí há imenso tempo.
A história deste casaco de lã começou em 2011 numa visita a Madrid enquanto passeava sozinha à espera que o J terminasse mais uma das suas muitas reuniões.
Como de costume, entre outras coisas visitei lojas de lãs e o resultado final acabou assim quase cinco anos depois :). Já o experimentei e ficou exactamente como desejava, justo, curto, e sem parecer um saco de batatas depois de o vestir.
A Mariana tem sido a minha "doce" companhia de final de tarde nestes últimos dias entretida a fazer uma coisa especial que também hei-de registar aqui assim que estiver terminada.

arco

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Uma das consequências de ter voltado à faculdade é o facto de não conseguir tempo para andar por aí a ver as outras coisas que me interessam.
Sinto a falta de tagarelar sem prazo, de sair e ver exposições, visitar museus, feiras, experimentar novas técnicas, "habilidades", artes, e outros etc's do género.
Queria estar em dois sítios ao mesmo tempo para poder ter a companhia das pessoas importantes da minha vida (se passares por aqui sabes do que falo) e em simultâneo poder concentrar-me nas poucas horas livres que tenho para desenhar ou fazer as pesquisas para os trabalhos. (Gerir liberdades numa família de cinco é um desafio. Estarei eu a esticá-la demais para o meu lado?)
Preciso das coisinhas do dia-a-dia de que gosto de me queixar mas das quais depois sinto a falta da rotina que me dá estabilidade quer eu queira quer não.
Tenho saudades de andar pela rua sem horas marcadas e sem ter a consciência pesada por ter a sensação que devia era estar em casa a estudar.
Num dia de exame e antes de "hibernar" de novo em preparação para o próximo, com crianças em aulas, e com uma tarde "tua" inesperadamente livre, senti o prazer de não ter nada para fazer. Um "luxo" :) Num pequeno sopro de pura e preciosa liberdade almoçámos fora de casa "quase" onde nos apeteceu e decidimos que podíamos aproveitar para visitar a primeira edição da Arco que estava a decorrer em Lisboa. Uau! :) Liberdade! :) Amanhã logo se vê ... :)
Vi várias obras que gostei.
Mas houve uma que decididamente fez os meus encantos.
Única e simplesmente porque alguém se lembrou que há obras que podem ter "vida".
O gostar de uma "obra de arte" não se explica, sente-se. E eu vi o efeito do vento que provoca o movimento ondulado do tecido sobre uma fotografia ... e senti que uma ideia assim tinha muito a ver comigo. Para a maioria pode não significar nada de especial ... mas eu achei fantástico!
A artista autora da "obra" acima chama-se Rosângela Rennó. De acordo com a legenda trata-se de uma impressão digital em organza de seda pura numa estrutura de alumínio.


O outro que escolheria se pudesse trazer para casa não é propriamente uma novidade mas eu gosto bastante desta obra da Joana Vasconcelos. A fotografia não lhe faz justiça. Ao vivo e a cores é de se ficar a observar até alguém que ia comigo me chamar porque ficou farto de esperar.
A liberdade entre aspas acabou pouco depois porque as aulas das ditas crianças estavam a terminar e por isso tínhamos que voltar para casa. É engraçado como o tempo é relativo nestas alturas e faz com que quatro ou cinco horas verdadeiras se transformem em algumas mais, não só pelo que parece que é, mas também pelas vezes em que dou por mim a recordar uma tarde assim. Mais uma vez não foi nada de especial ou extraordinário, mas para mim foi o suficiente para me deixar feliz e contente.

livros

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Feira do livro.
Tentei conter-me, e de facto inicialmente contive-me.
Passei a maior parte do tempo nos alfarrabistas.
E encontrei livros bem interessantes. A preços muito bons, em média a cinco euros.
O problema é que tive que lá voltar mais duas vezes. Uma com a Mariana para comprar os seus livros e outra para trocar um que trouxemos que já tínhamos em casa.
E entrei em despesas ...
Os meus preferidos: os dois últimos de que mostro algumas páginas.
O do Andy Warhol é para crianças mas eu adoro estes livros que têm estes efeitos 3D tipo pop-up e também gosto do Andy Warhol e da sua mania de ir coleccionando (guardando) tudo e mais alguma coisa (lembra-me alguém! Assumo que não consigo deitar coisas para o lixo! É uma dificuldade que eu tenho!).
O dos "Zapatos" para minimizar a frustração de não conseguir encontrar o Manual do Sapateiro que só deve existir em bibliotecas públicas, porque este livro me pareceu mesmo muito interessante, e porque um dia gostava de aprender a fazer uns sapatos.
Felizmente vou de fim-de-semana e como tal dificilmente devo voltar à feira este ano.
De registar somente que pela primeira vez na vida não tive a companhia da Marta que é mais uma das leitoras compulsivas cá de casa e que adora ir a livrarias como eu. Sinto-te a falta minha querida ...
Por outro lado, tive a doce companhia da Mariana com o seu sorriso constante e simpática como só ela sabe ser. Não mudes minha querida, por favor ...
Quem nos conhece sabe que falta o Miguel. Ele não foi. Continua fechado em casa a estudar para os exames. Boa sorte meu querido ... (senão ele reclama que só chamo "queridas" às irmãs :)).

e agora com o desenho a acompanhar

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Só agora é que este manual de instruções que acompanhava o dito cujo do outro dia voltou às minhas mãos.
Não publicando a versão completa fica o que me parece mais importante: "princípio" com a capa, "meio" com as perspectivas completas, e a propósito do que falava há uns tempos atrás o "fim" com a ilustração final feita por mim.
As fotografias não estão no seu melhor porque eu e o photoshop ainda temos algumas divergências os dois.
O objectivo é somente para que fique como meu registo ...

thinking out of the box

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A minha família respira de alívio. E eu também.
Entreguei hoje o último trabalho na faculdade para este ano lectivo.
Além de passar a estar por aqui mais frequentemente volto hoje às outras coisas que deixei a meio, uma manta para a cama do meu filho, um xaile que a simpática e talentosa Vera me ensinou a fazer na Retrosaria, e mais uma ou outra coisa.
Durante este tempo que passou foram muitas mais as vezes que peguei nos lápis e nos pincéis do que as que me sentei a costurar.
Mas no final do semestre o projecto final deixou-me matar a saudade pelo gosto em fazer estas coisas.
O exercício baseava-se nos "ready-made" do Marcel Duchamp uma forma de arte que desconhecia e que me custa a compreender mas devo confessar que o exercício foi um desafio bem interessante.
Basicamente teria que escolher uma entre algumas peças que nos definiram, pensar nela como uma tela em branco, e mudar-lhe a função. Ah, é verdade, e já agora a questão da sustentabilidade também era importante.
Lembrei-me logo do monte de camisas de homem que vou "coleccionando" por força das circunstâncias.
Depois de voltas e mais voltas com as camisas sobre um manequim cheguei finalmente a uma "solução" que me dizia algo e surgiu esta ideia de transformar (cinco) camisas de homem num vestido e neste alfinete de peito avantajado.
Talvez me tenha desviado um bocadito de nada do dito do conceito puro e duro dos "ready-made" (não sei ...) mas modéstia à parte gostei do resultado final. E devo dizer que como método para a geração de ideias me parece óptimo. E estou a falar a sério :)
Na verdade foram mais do que cinco camisas porque até conseguir acertar com a manga raglan que decidi aplicar para poder manter a estrutura dos colarinhos houve mais algumas que foram destruídas.
A simplicidade tem muitas vezes um preço alto e neste caso a simplicidade aparente do resultado final esconde várias horas a testar a adaptação de um molde convencional (a da manga raglan) sobre duas camisas em vez do tecido plano sem cortes.
Mas valeu a pena! Era precisamente este "thinking out of the box" que procurava e não me posso queixar porque o tive em dose considerável.
Alô família! Ainda estão aí? Estou de volta e obrigada meus queridos pela vossa ajuda para esta tresloucura e pela vossa paciência que às vezes me parece infinita :)
E agora quase férias .... :)

ilustração

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Os meus filhos dizem-me que desenho bem. Na minha modesta opinião não sei se será o caso mas é sempre bom ter quem nos aprecie :)
Para desenhar bem ou se nasceu com esse dom ou então (como eu) exige muitas horas de lápis e pincéis na mão de forma quase diária sem grandes interrupções porque senão perde-se de novo "o jeito".
Por isso tenho sempre uma grande admiração quando vejo este tipo de trabalho de ilustração. Gosto de ficar ali a admirar os traços, os contornos, os sombreados, a escolha da cor, e a forma equilibrada e nas devidas proporções do resultado final..
Em moda saber desenhar bem é muito valorizado porque acaba por ser uma parte importante do trabalho de apresentação de qualquer ideia.
Estas ilustrações não são da minha autoria. Fazem parte de uma exposição que está a decorrer no V&A sobre os últimos 40 anos de teatro em Londres.
Deixei para trás as maquetes das várias salas de teatro mais célebres que também me fascinaram (confessando que o meu sonho de adolescente que nunca se concretizou era ter sido arquitecta) e fotografei os desenhos que os designers/figurinistas fizeram para o guarda-roupa de algumas peças. As condições de pouca luz não ajudaram muito mas dá para ter uma ideia da qualidade do trabalho.
Adoro o "estilaço" daquele senhor de verde ali na terceira fotografia.

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