maputo, mozambique

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África. Não era a minha opção mas admito (a quem sabe, se ler isto) que estava errada e que esta foi de facto uma grande escolha. 
Dos meus calmos serões de Inverno à lareira em Janeiro dei um pulo gigante até ao Verão de Moçambique e voltei.
Aterrar novamente em Lisboa este fim-de-semana foi extremamente difícil e voltar à rotina na 2ª feira foi ainda mais complicado. Tenho uma dor de cabeça tipo moinha que me acompanha desde que cheguei e apesar do fuso horário ter só uma diferença de duas horas a mudança de ambiente é tão mas tão radical e o contraste é tão grande que ainda estou com alguma dificuldade em perceber bem o que se passa aqui por casa.
Algumas coisas a registar:
- a simpatia "enoooooooorme" e o sorriso constante acompanhado de um olhar que parecia tão meigo de todos os moçambicanos que encontrámos;
- embora não fosse novidade continuo a ficar surpreendida quando oiço falar português tão longe de casa (a onze horas de vôo de distância),
- a cidade de Maputo. Que achei "bonita" depois de me habituar à imagem de destruição e degradação que sofreu por causa dos anos de guerra. Embora nunca lá tenha estado antes em alguns sítios tive uma estranha sensação de algo familiar como se estivesse em Lisboa,
- facto curioso, quase todas as recuperações dos antigos edifícios que vimos aconteceram a partir de 2012 ou 2013, 
- muitas obras em curso por empresas chinesas,
- as qualidades artísticas fantásticas desta gente, nos graffitis das paredes, nas esculturas de madeira, em n coisas que estão por todo o lado,
- o colorido da roupa e dos lenços que punham à cabeça,
- turismo é coisa que praticamente não existe e não é possível passar despercebido,
- apesar da simpatia, e apesar dos anos que já passaram o ressentimento em relação aos portugueses e ao colonialismo ainda me pareceu estar quase sempre presente, embora não o refiram directamente,
- a consciência crua e dura que qualquer moçambicano tem do que se passa no seu país e a amargura nas palavras por não conseguirem mudar o que sabem estar errado,
- e, por último, adorava poder lá voltar um dia.
As fotografias foram difíceis de conseguir porque andar pela rua de máquina na mão alegremente e despreocupadamente a tirar fotografias não é possível.
Tantos rostos que ficaram por registar, tantas imagens que gostava de ter guardado e não pude ...
Esta era a vista do quarto do hotel onde ficámos: a Catedral "como lhe chamavam os portugueses", e depois as ruínas de um prédio que está assim desde a independência porque "o português fugiu com as plantas" e agora ninguém sabe como acabar (!), o prédio com a fachada lindíssima de azulejos amarelos dos anos 60.



Uma tímida fotografia à distância, numa rua junto à estação, de uma criança a ser carregada às costas da mãe. São imagens deliciosas e todas transportam os filhos pequenos assim. Seria impossível usar um carrinho de bebê nestas ruas, e desta forma é muito mais agradável (e prático) de certeza.
Uma das fantásticas esculturas, que para mim são obras de arte dignas de museu (tipo "ready-made" diria eu que não percebo nada do assunto :)). Esta está na escola francesa e foi feita a partir de peças de motorizadas Kawasaki e outra marca cujo nome já não me lembro.
Restos das munições (de defesa dos portugueses suponho eu) que estão em exposição no interior do forte da cidade.
Imagens do mercado municipal. Elas e eles com ar de frete a olhar para nós do tipo "que é que estes andam aqui a fazer a tirar fotografias e a filmar".  Pela quantidade de fotografias de seguida sobre o mesmo dá para perceber que adoro visitar estes mercados. :)



A lindissima, lindissima, fachada da estação de caminho de ferro, lindissimamente recuperada. Lá dentro é um encanto.
Ainda a estação de caminho de ferro, cuja arcada exterior me lembrou um bocadinho de Lisboa.
Um exemplo da forma como pintam o exterior das casas para anunciar que tipo de serviço ou trabalho podem prestar a quem precise. Este é um exemplo entre muitos.
Fizemos um passeio, que hei-de registar depois, que nos obrigou a fazer cerca de quatro horas de carro (para percorrer mais ou menos 150Km) e estas são as imagens do que vemos à beira da estrada e que me parecem ser uma constante de vida da grande maioria dos moçambicanos.


Independentemente de tudo o resto crianças serão sempre crianças e cada vez aprecio mais a liberdade que lhes é inerente.
 Despedi-me de Maputo assim. Da mesma janela do mesmo hotel onde tinha chegado dias antes. Um céu com umas cores fantásticas do pôr-do-sol, a temperatura absolutamente perfeita, e a certeza absoluta de lá querer voltar (é verdade "meu querido"! quem diria, hã? afinal estavas absolutamente certo ... :).



dos serões de Inverno

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Este mês de Janeiro a maior parte dos nossos serões de Inverno têm sido passados junto à lareira. A ver "House of Cards". E eu a crochetar estas flores do livro "100 Flowers to Knit and Crochet" que já tinha comprado há uns anos mas do qual nunca tinha tentado fazer nada antes.
Por causa de um trabalho que tive que entregar no último semestre tive que fazer uma amostra que utilizava flores em crochet aplicadas sobre tule de seda (salvo erro é este o nome que se dá a este tule mais fininho e mais macio). 
Peguei-lhe o gosto e tenho-me entretido e deliciado no meio deste colorido. Por enquanto estou a guardá-las nesta caixa que já vai quase a meio. Mas o objectivo será utilizá-las para uma ideia que tive e que não sei bem ainda se irá resultar.
Devo confessar que esta coisa da série de televisão mais o crochet está a ser um bocadinho viciante, mas está a saber-me muito bem este "mood so cosy" como diria provavelmente a minha filha Marta.  

o "statement"

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... que me interessa dizer para mim própria e enfiar de vez na cabeça está inscrito algures e é exactamente assim:
"Live fully.
Love deeply.
Laugh loudly."
Não é coincidência por ser no início de um novo ano.
E não é apenas por este ano. É para a vida.
É importante que me lembre disto todos os dias a partir de agora.

já depois do natal

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O Natal é uma das minhas festas preferidas aqui em casa.
Eu diria mesmo que é a "festa".
E até agora tem sido possível que assim seja.
Depois de tempos bem difíceis sinto finalmente alguma tranquilidade.
Pelo menos a suficiente para voltar a escrever por aqui.
Sem tempo para planear fosse o que fosse num registo quase igual ao de outros anos fui eu que pus a mesa com a ajuda da Mariana e uma ajudinha da Marta.
A ideia do presépio no centro da nossa mesa de Natal surgiu por volta das cinco da tarde de sexta-feira dia 23 que foi mais ou menos quando comecei a preparar tudo.
Nunca me tinha ocorrido antes mas acho que foi o melhor sítio onde alguma vez o poderia colocar.
Às vezes a urgência e a falta de tempo faz destas coisas. Leva-nos ao "essencial" e ao que realmente importa.
Hoje já é dia 26, mas com um bocadinho de imaginação ainda é tempo de desejar um Feliz Natal e um Bom Ano de 2017 com tudo de bom. Vendo bem as coisas, "possível" é uma palavra que existe no nosso dicionário e na qual temos que acreditar.

recomeçar e da tecelagem em tear

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As aulas já começaram há uma semana.
Embora já tenhamos começado com as rotinas do costume ainda não sinto completamente o "peso" do fim das férias. A verdade é que já estamos em Lisboa há um mês e isso permitiu-nos fazer um "soft landing"; lentamente fomos adaptando o nosso ritmo e, com calma e um bom planeamento, conseguimos preparar-nos para começar Setembro sem muito stress (pelo menos até agora).
Este bom tempo com muito calor e bastante sol também tem ajudado muito para não pensarmos no Outono que se aproxima e nas rotinas quase "militares" que caracterizam o "ano lectivo".
Até começarem as aulas andei entretida a fazer algumas mudanças nos quartos dos meus filhos (que, não sei porquê, é algo que sempre me apetece fazer quando volto das férias). Sem pressas mudei mobília de sítio, pendurei quadros, e dei-lhes um novo "ar" a aproveitar o pretexto de ter que fazer umas arrumações. Quando finalmente me vi livre das arrumações dos quartos passei ao meu quarto "das costuras" que estava uma confusão enorme.
Antes de começar as férias em Julho a vontade de arrumar fosse o que fosse era nula. O que me apetecia era sair de casa e andar a passear. "Despejei" literalmente todos os livros, desenhos, materiais que fui espalhando pela casa durante as minhas aulas e fechei a porta até ao final de Agosto fazendo de conta que não existia um sítio assim em minha casa (que vergonha! :)).
Este fim-de-semana resolvi que já não dava para adiar mais, consegui torná-lo habitável de novo, e com dedicação, paciência, e também por necessidade (confesso) lá consegui desimpedir o caminho até à máquina de costura para fazer uns "arranjos" que fui adiando até não poder mais (é verdade que de vez em quando tem que ser, embora toda a gente que me conhece já esteja avisada que não faço "arranjos" :)).
No meio das minhas arrumações estava esta mini peça de tapeçaria feita por mim que aparece nas fotografias. Não estava esquecida mas, como tantas outras coisas, estava algures no meio do caos à espera de vez para ser arrumada ou, neste caso, pendurada.
No início de Julho estive num workshop na Retrosaria onde conheci a Vânia Oliveira da "TWO Hands Textile Studio" e adorei fazer este workshop com ela. Foram 4h que passaram a correr.
É claro que não saí da Retrosaria sem trazer um tear. A minha intenção era fazer alguma coisa nas férias mas esqueci-me das lãs em Lisboa e portanto não deu.
Por coincidência, por essa altura também, numa das minhas idas à Livraria Barata ao sábado de manhã encontrei esta revista da "Mollie Makes", a nº 67 de Maio, que trazia além das bonecas de feltro da Shelly Down da Gingermelon um tutorial sobre como fazer estas pequenas peças de iniciação à tapeçaria.
Digamos que agora não tenho desculpa para não estrear o meu tear, até porque a Mariana também já se mostrou interessada.
Entretanto, assim que puder devo voltar à Retrosaria para o workshop 2 de Tecelagem em Tear.


a caminha da boneca

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Este fim-de-semana trouxe para casa esta cama de bonecas para a Mariana.
Passámos dois dias em Avis e no sábado de manhã demos um saltinho até à feira de antiguidades e velharias de Estremoz.
Andava por lá e (talvez influenciada por estas imagens inspiradoras que tenho visto ultimamente da Constança Cabral) quando vi esta caminha não resisti. O colchão não me parecia estar em muito boas condições mas achei-a tão encantadora que não consegui deixar de a trazer comigo!
Desde o Verão que ando a fazer umas bonecas para as minhas filhas que, para surpresa minha, apesar de maiorzinhas continuam a gostar destas coisas.
Primeiro com a Mariana que resolveu fazer uma de feltro para oferecer à Marta, e depois com a Marta que no outro dia a pretexto de ajudar a Mariana a arrumar o seu quarto andou a pentear as barbies da irmã.
A ideia de fazer estas bonecas não é por acaso. Além da experiência de as fazer pela primeira vez, já há uns meses atrás através das minhas aulas na faculdade tinha chegado à conclusão que é mais simples, rápido, e económico simular moldes e costurá-los com estes tamanhos mais reduzidos do que no real. Mas isso será tema para outro dia ...
Entretanto, o que interessa é que embora a pobre da boneca de trapos ainda não tenha roupa a cama já não lhe falta.


de um mail em férias, das coincidências, e da Tate

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Estávamos de férias num sítio maravilhoso. Num momento de verdadeira contemplação em frente ao mar eis que vem um "mailzinho" e informa-nos que seria necessário ir a Londres daí a uma semana. Bastava ir num dia e voltar no outro mas era necessário ir.
Foi assim que passei de uns agradáveis 36ºC em Faro para uns menos agradáveis 25ºC em Londres.

Este Verão um dos livros que li, que gostei bastante, e no qual aprendi imensa coisa foi escrito por Will Gompertz que foi um dos últimos directores da Tate Modern.
O tal do mail chegou exactamente na altura em que eu estava a terminar de ler este livro.
E o nosso hotel, descobri eu depois, ficava a dez minutos a pé da Tate.
Coincidências ... Sem sequer o ter planeado tive a oportunidade de o revisitar depois de ter lido as 490 páginas de um livro onde se explicava o porquê que justificava a escolha de muitas ou das principais obras que compõem a sua colecção.
Digamos que podia ter servido de guia se alguém me tivesse acompanhado.
Bastou-me atravessar a Millennium Bridge e dei logo com uma das principais entradas.

Da última vez que lá tinha estado ainda estavam a decorrer as obras no exterior e na recuperação de uma grande parte do edifício, e por isso não tinha esta noção da sua grandiosidade.
 Nem tinha tido a oportunidade de ver ao vivo uma das obras de Ai Weiwei.
Apesar de me ter ocupado uma manhã inteira ainda não foi desta que consegui completar a visita a toda a colecção. E sendo a visita da colecção permanente grátis resolvi que não valia a pena estar a gastar dinheiro nas exposições temporárias.
Houve imensas obras que ainda não conhecia ou de que não me lembrava.
Este quadro foi uma das pinturas que mais gostei. Ao vivo impressiona. Data de 1938 e também porque o vestido foi feito pela mãe da personagem do retrato a partir de um modelo da Vogue. E eu sou sensível a este tipo de descrições que envolvam palavras como "patterns" e "sewing" :)
E depois, como não podia deixar de ser, esta réplica da obra mais conhecida de Marcel Duchamp, um clássico que constitui um dos marcos de mudança da história da arte moderna e contemporânea.
Depois de ouvir falar tanto dela e a ter estudado não podia deixar de a procurar. Continuo a não entender muito bem como se pode pagar tanto por algo assim. E fico pasmada cada vez que a observo, mas desta vez já sei o porquê da sua existência e importância.
Além da visita à Tate, sobrou ainda algum tempo para vaguear.
Já com companhia fui até Lambs Conduit Street (segundo o The Guardian uma das que vale a pena visitar quando se procura comércio genuíno e original). Confirmo. A rua é muito pequena, mas muito "simpática", e todas ou quase todas as lojas são pequenas e engraçadas e vale a pena visitar.
Uma loja de alfaiate. Como eu gostava um dia de ter algo assim só um bocadinho parecido ou próximo disto ... (suspiro) ... (suspiro) ... (muitos suspiros) ...

Uma fotografia de uma das esquinas.
E saindo dessa rua, a caminho de Convent Garden (mais um clássico mil vezes revisitado), passámos por uma rua muito nossa conhecida onde existe um pequeno restaurante onde normalmente estão sempre muitos taxistas a almoçar ou a jantar. E onde também calha jantarmos de vez em quando, bem e barato (o que normalmente é difícil em Londres).
E depois foi andar sem destino capturando uma imagem ou outra de coisas que gosto ou que me chamaram a atenção.
As mangas da camisa.

Os alfinetes de peito.

A casa de bonecas.

As cores do conjunto de edifícios.

12 horas depois estava de volta ao calor e à praia mas soube-me mesmo bem esta escapadinha inesperada de um dia a Londres. 


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