memórias
Crewel embroidery
Há poucos dias atrás recebi finalmente a tão desejada encomenda que aguardava.
A par com uma manta de granny squares (que será objecto de um registo futuro) a Battenberg Blanket da Sandra CherryHeart, o primeiro bordado Crewel será o outro dos meus dois projectos deste Verão.
Pelo menos, são estes os meus planos ... :) E planear é uma parte da "viagem"! :)
Sobre o bordado Crewel, sei que é um bordado feito com fio de lã e com origens nos séculos XVII e XVIII. Mas ainda não tive possibilidade de pesquisar muito mais. A minha descoberta deste tipo de bordado aconteceu por acaso, há uns anos, numa das minhas visitas a Londres. Numa daquelas lojas de caridade que costumo visitar encontrei este livro de uma biblioteca à venda por 1 libra.
Mais tarde, já não sei como, o algoritmo apresentou-me o site da Crewel Work Company a mostrar um daqueles "retiros" que gostaria de experimentar um dia exclusivamente dedicados a estas actividades (pode parecer coisa de pessoa reformada, mas a verdade é que a data de tal acontecer aproxima-se a passos largos, e eu sou pessoa para me dedicar a estes devaneios; principalmente se for por sítios assim estilo "british country/castle/palace (ou, whatever) style:) ).
É claro, que na minha "wish list" entrou mais uma linha que agora tem um sinal de "check" parcialmente cumprido.
Os materias que encomendei foram o "starter set" e um projecto para "begginers" mas sem as instruções video. Tenho esperança de me conseguir orientar com as instruções em papel e alguns videos no youtube.
Só o unboxing do "starter set" já me compensou em grande parte (confesso que além do interesse em primeira mão por qualquer processo criativo e respectivas técnicas, os materiais são a minha segunda perdição):
dias
do fim-de-semana
Do último fim-de-semana a Oeste!
O cravo do primeiro bordado com ponto de Castelo Branco que aprendi a fazer!
Um dos últimos quadros que pintei!
Quadros que andei a pendurar com trabalhos de crochet das avós e bisavós do João e que agora decoram as paredes do sótão!
E finais de tarde onde o sol nos aquece a "alma"!
o "depois" de uns cortinados
Fashion becomes Art
a última fita de pompons
Ou noutras palavras "a última coca-cola do deserto"!
Estamos a recuperar uma casa antiga de família e na enorme transformação que estamos a fazer tento manter a "alma" de uma casa que viu várias gerações da mesma família.
Mais tarde hei-de registar um "antes" e um "depois", mas para já vou dedicar-me à dificuldade que foi arranjar materiais têxteis (e não só) que nos permitissem manter a integridade e a qualidade do que nos propunhamos fazer.
Neste caso, tratou-se de fazer um roupeiro para o nosso quarto. Depois de vários orçamentos e pesquisas acabámos por escolher para a organização interior um modelo do IKEA. Imaginar um móvel do IKEA nesta casa era algo que não conseguia assumir e não tinha nada a ver com a dita "alma" de que falei logo no início. Mas após várias pesquisas acabei por me render (ao preço) quando tive a ideia de dispensar as portas e substituí-las por um cortinado.
Utilizar chita foi uma das hipóteses, mas todos os padrões eram demasiado "fortes" e acabariam por se tornar cansativos, pelo menos para mim. Acabei por optar por um tecido "toile de jouy". Sorte a minha que havia alguns nas lojas de Campo d'Ourique. Escolhi aquele que me pareceu ter o padrão mais simples. Tratando-se de um tema campestre adaptava-se muito bem ao meio em que a casa está inserida.
Para tornar a solução mais adequada quis juntar uma fita de pompons tão característica de uma certa época. Nunca imaginei que fosse tão difícil encontrar o que queria. Tudo o que encontrava era em poliéster e "made in china". São péssimas quando comparadas com as "verdadeiras" de outros tempos. Andei pela Baixa que cada vez mais se parece com um circo. Onde antes existiam 5 lojas que vendiam passamanaria (daquela produzida nas oficinas da Fundação Ricardo Espírito Santo e Silva) agora não existe nada. Falei com a D Custódia da Franjarte (que fechou há pouco tempo) e doía o coração só de ouvir a história de decadência em que estas lojas entraram.
Finalmente, consegui encontrar os últimos 6 metros na Nardo. Em toda a Baixa foi a única loja onde tive a sorte de encontrar exatamente a cor que queria, na quantidade que precisava, e sobretudo, com a qualidade e o diâmetro desejado! Mais sorte é impossível! É claro que o preço não tem nada a ver mas viver a olhar para uma fita de pompons de poliéster não seria possível.
É por isso que posso usar a expressão "encontrei a última coca-cola do deserto" com toda a propriedade!
Assim que pendurar os cortinados no próximo fim-de-semana (e se o varão não cair com o peso) hei-de fotografar e deixar registo da obra feita.
Última nota: como auto-didacta pesquisei o Pinterest para escolher o modelo e segui as instruções do "Grande Livro da Costura" das Selecções do Readers Digest.