Há uns tempos atrás a
Monocle escolheu Lisboa para realizar a sua
primeira conferência
com o tema qualidade de vida. A seguir, ou durante
(já não sei), o seu director veio dar uma entrevista onde dizia que uma
das coisas que gostava na cidade e que o tinha atraído era o facto de ser "imperfeita".
Talvez também tenha sido este o motivo pelo qual, muito antes disso,
Malkovitch tenha aparecido por cá e tenha ficado, contemplando o Tejo das varandas do
Lux,
e dizendo que era um dos melhores segredos da Europa esta cidade à
beira mar. Se não me engano também ele dizia numa entrevista algo
semelhante e parecido com a palavra "imperfeita".
No entretanto, como nunca antes visto, vagas de turistas invadem Lisboa, e parece que cada vez são mais os que cá vêm. Tiram fotografias, sobem e descem ruas, e ficam a olhar-nos.
Quem vem de fora deve ver a tal da "imperfeição".
Eu que nasci aqui e sempre cá vivi, alfacinha e lisboeta, só julgo saber do que falam porque já vi outras cidades das "arrumadinhas", das "monumentais", das "cosmopolistas", e não sei mais o quê.
Gostei de as visitar é certo, mas sempre gostei de voltar ao "lugar comum" que é a minha cidade.
Mais ou menos planeada, com edifícios em ruínas, campos de silvas entre prédios, arrumadores, lixo, e a calçada portuguesa, o rio e os bairros antigos, o castelo e as gaivotas, e a luz. Esta luz fantástica de Lisboa.
Não me canso de andar pelas ruas. Vou guardando imagens sem nexo que não sendo nada de especial são pequenos detalhes que colecciono desta cidade de que gosto tanto. Eu não lhe chamaria imperfeita.