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a última fita de pompons

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Ou noutras palavras "a última coca-cola do deserto"!

Estamos a recuperar uma casa antiga de família e na enorme transformação que estamos a fazer tento manter a "alma" de uma casa que viu várias gerações da mesma família.

Mais tarde hei-de registar um "antes" e um "depois", mas para já vou dedicar-me à dificuldade que foi arranjar materiais têxteis (e não só) que nos permitissem manter a integridade e a qualidade do que nos propunhamos fazer.

Neste caso, tratou-se de fazer um roupeiro para o nosso quarto. Depois de vários orçamentos e pesquisas acabámos por escolher para a organização interior um modelo do IKEA. Imaginar um móvel do IKEA nesta casa era algo que não conseguia assumir e não tinha nada a ver com a dita "alma" de que falei logo no início. Mas após várias pesquisas acabei por me render (ao preço) quando tive a ideia de dispensar as portas e substituí-las por um cortinado. 

Utilizar chita foi uma das hipóteses, mas todos os padrões eram demasiado "fortes" e acabariam por se tornar cansativos, pelo menos para mim. Acabei por optar por um tecido "toile de jouy". Sorte a minha que havia alguns nas lojas de Campo d'Ourique. Escolhi aquele que me pareceu ter o padrão mais simples. Tratando-se de um tema campestre adaptava-se muito bem ao meio em que a casa está inserida. 

Para tornar a solução mais adequada quis juntar uma fita de pompons tão característica de uma certa época. Nunca imaginei que fosse tão difícil encontrar o que queria. Tudo o que encontrava era em poliéster e "made in china". São péssimas quando comparadas com as "verdadeiras" de outros tempos. Andei pela Baixa que cada vez mais se parece com um circo. Onde antes existiam 5 lojas que vendiam passamanaria (daquela produzida nas oficinas da Fundação Ricardo Espírito Santo e Silva) agora não existe nada. Falei com a D Custódia da Franjarte (que fechou há pouco tempo) e doía o coração só de ouvir a história de decadência em que estas lojas entraram. 

Finalmente, consegui encontrar os últimos 6 metros na Nardo. Em toda a Baixa foi a única loja onde tive a sorte de encontrar exatamente a cor que queria, na quantidade que precisava, e sobretudo, com a qualidade e o diâmetro desejado! Mais sorte é impossível! É claro que o preço não tem nada a ver mas viver a olhar para uma fita de pompons de poliéster não seria possível.

É por isso que posso usar a expressão "encontrei a última coca-cola do deserto" com toda a propriedade!

Assim que pendurar os cortinados no próximo fim-de-semana (e se o varão não cair com o peso) hei-de fotografar e deixar registo da obra feita.

Última nota: como auto-didacta pesquisei o Pinterest para escolher o modelo e segui as instruções do "Grande Livro da Costura" das Selecções do Readers Digest.









inside Dover Street Market

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DSM.
Ou mais especificamente a Dover Street Market em Londres.
Conhecida entre os "entendidos" e dada como exemplo em artigos de referência.
Conhecida também por pertencer à designer japonesa Rei Kawakubo fundadora e responsável pela marca "Comme des Garçons".
Nas cidades onde existe tem a particularidade de ter sido aberta em locais que habitualmente não têm nada a ver com moda ou com as suas tendências e com pouco ou quase nenhum atractivo. 
No entanto, só pelo facto de passar a existir nesses locais conseguiu o efeito de transformar a área circundante numa zona de elevado interesse comercial pelas marcas de topo que a seguir se instalam.
Um "caso de estudo", portanto ... !
Tive a oportunidade de satisfazer a minha curiosidade.
Estranho é a palavra que me ocorre. 
A entrada principal está fechada com um gradeamento. Nas montras não existe nada a não ser grandes bolas brancas que ocupam todo o espaço disponível. E, na verdade, a entrada faz-se por uma porta mais pequena, que quase não se distingue, e que se encontra numa rua lateral. 
Eclético será a segunda palavra que me ocorre. Começando pela decoração, passando pela forma de apresentação das roupas em venda, pelas roupas em si, e finalmente pelos próprios clientes.  99,9% (exagerando, claro!, mas só para dar uma ideia aproximada) dos frequentadores parecem ser japoneses. 
Para registo meu, discretamente fotografei algumas peças com detalhes que me parecem originais, curiosos, e muito interessantes.
Luxo que não é facilmente perceptível e que se descobre ser muitíssimo diferente do tipo de luxo que  existe e se vê habitualmente em revistas e na televisão. Extremamente discreta e "aparentemente" simples em tudo: forma, conteúdo, e apresentação. Qualidade top+
De culto, diria eu!
Completamente "thinking out of the box"!
Num universo ao qual não me parece ser o dinheiro que dá o acesso. 



















Camden Passage Market & Loop

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Camden Passage Market em Islington é sempre um dos locais que gosto de visitar.
É muitíssimo pequeno se comparado com o famoso Portobello Road Market, mas quanto a mim, ao contrário deste último, é bem mais atraente no que diz respeito à originalidade e ao interesse do que vendem.
Gosto sempre de passar pela banca dos carimbos e de dar uma voltinha pelas lojas de antiguidades e velharias.
Mas o meu sítio favorito, ou um dos favoritos em Londres, é a loja de lãs Loop.
Absolutamente encantadora e cheia de coisas que só dá vontade de trazer para casa.
Desta vez apaixonei-me por estes fios japoneses da Mondo Fil que quando tricotados juntamente com outro fio produzem este efeito gírissimo. As cores são fantásticas. No entanto, contive-me porque o preço é um tanto ou quanto proibitivo.












no 4º andar do John Lewis

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em Oxford Streetuma secção chamada "fashion fabrics".
Apesar de ser um daqueles armazéns multi-marca gigantescos que existe em Londres tem uma secção dedicada a costura, lãs e afins bastante interessante e bem apetrechada.
Não recomendaria na parte que diz respeito a tecidos propriamente ditos porque a variedade não é muita, mas parece-me um bom sítio a visitar para comprar moldes (Vogue, Burda, Simplicity, ...), acessórios de costura (a marca Prym está muito bem representada) ou para comprar lãs e material de tricot ou crochet.
Gostei do espaço dedicado à "Great British Sewing Bee", e do reservado à "Sew over it" (que ainda não foi desta que visitei), e também há um canto com um aspecto bem confortável onde nos podemos sentar e pedir a ajuda de uma das empregadas enquanto nos decidimos.
Também vendem máquinas de costura a que achei graça pelo colorido.
Normalmente não é nestes grandes armazéns que procuro por estas coisas mas já não me lembro bem como é que fiquei com esta como sendo uma das referências a visitar em Londres e onde nunca tinha estado antes.
Não me desiludiu e escusado será dizer que me demorei um bocadinho por ali :)

o tempo dirá

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"a menina vai-se esquecer de nós"
"não, não vou, como é que posso esquecer-me de umas senhoras tão simpáticas?"
"então não se esqueça de nos ir visitar à loja da Baixa que nós vamos lá estar"
...
Esta foi a minha última conversa de muitas com as senhoras que atendiam na Ouro Têxteis da Av de Roma.
Cada uma delas perto dos 70 anos porque não queriam reformar-se e gostavam muito do seu trabalho.
As rendas foram actualizadas e esta foi mais uma das lojas completamente ao estilo dos anos 80 que fechou.
Uma das últimas, das antigas, que vendiam tecidos e retrosaria. E que, quanto a mim, valia a pena continuar aberta. É pena! Com este meu espírito saudosista não podia perder a oportunidade de ficar com estas fotografias. O final de um ciclo à espera que outro comece.
Alguma coisa terá que acontecer por aqui, por isso esperemos para ver quando e como terminará esta história entre senhorios e velhos inquilinos que vão envelhecendo com o seu stock, ou de senhorios a achar que na Av de Roma ainda podem cobrar rendas altas porque se vende como antigamente. O passar do tempo dirá como serão as novas regras ... no entretanto o momento é de espera.
...
Nota-se o cuidado em deixar tudo limpo e, curiosamente, os únicos vestígios que ficaram para trás são dois pequenos cartazes, um deles naquelas suas letras com revirotes que anunciavam as promoções e os saldos.
Um destes dias quando for à Baixa tenho que ir visitá-las e saber como estão.

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