pelo Porto

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... mais precisamente pela Rua das Flores até à Ribeira.
O Porto cada vez melhor. Numa mistura entre a cidade antiga e o bom gosto da recuperação na medida certa do que pode ser o comércio tradicional. Uma cidade feita de detalhes que apetece fotografar. O sotaque sempre igual de quem diz o que lhe vai na alma.
Não me canso de lá voltar. E cada vez que volto é uma agradável surpresa.

feira da buzina

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Este fim-de-semana fomos à feira da buzina.
Não fazia a mínima ideia que existia uma feira destas em Lisboa.
Trata-se de uma feira de velharias onde não há bancadas porque os vendedores estacionam o seu automóvel e põem à venda tudo o que levarem na bagageira.
O local de realização não é fixo e desta vez aconteceu no Jardim do Arco do Cego.
Eu gostei desta feira. Tem coisas que achei bem interessantes e a preços que me pareceram razoáveis. É muito do género da feira da Ladra mas só se vende velharias mesmo, sem a parte das meias e das cuecas à dúzia e a cassete pirata.
Embora a intenção inicial fosse só ver não consegui vir-me embora de mãos vazias.
Passei à frente de uma máquina de escrever (que me andam a tentar há algum tempo) e sendo a loucura mais que muita começando já a parecer doença não resisti a uma velha máquina de costura Husqvarna (penúltima fotografia) que estava super completa com uma caixa lindissima em madeira e com livro de instruções e acessórios em óptimas condições.
E um bocadinho mais à frente encontrei uma velha raquete de ténis Slazinger com esticador (última fotografia) para uma certa pessoa que está sempre a reclamar quando eu me ponho a comprar estas coisas mas que também não resiste.
Com o treino que trouxe das nossas últimas férias na India "regateei" um pouco e (embora possa estar enganada) vim-me embora contente e feliz convencida de ter conseguido bons preços. Não foi pechincha mas pelo menos tentei (isto sou eu a achar claro!).

destes dias

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Amanhã é um novo dia.
E o que me entristece hoje provavelmente estará perdoado amanhã (espero eu). Mas não estará esquecido. Estará devidamente relativizado e tranquilamente guardado em memória no lugarzinho-inho que lhe compete.
A injustiça, a parolice, a ignorância, a mesquinhez, a ambição desmedida, a inveja, (vou parar por aqui) ... estas e outras do género são palavras que de vez em quando aparecem todas juntas para nos atormentar os dias.
Dizem-me que existem por todo o lado. E eu sei que é verdade.
No meu caso tenho inveja destes pombos. Aparentemente não andam a agredir-se uns aos outros para receber a comida que lhes dão. Cada um apanha o que pode, e assim que acaba segue a sua vida. Não gastam o seu tempo a pisar-se uns aos outros, com comparações, e a acusar-se mutuamente com justificações que não lembram a ninguém para enfiarem mais um grão no papo.
Estou a divagar, eu sei, ... vocês que sabem o porquê não liguem meus queridos ... amanhã será um novo dia e já não falarei mais disto. Porque infelizmente existem outros assuntos sobre os quais pouco posso fazer e que me preocupam muito mais.
Hoje foi só um pequeno "fait-divers" com pouca importância.

conversas soltas X

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Mariana: "Sabes mãe, há um menino na minha classe que é rico, mas foi bem educado e não me disse que era rico."
Eu: "Muito bem! Foi muito bem educado! Então porque é que dizes que ele é rico?"
Mariana: "Porque quando íamos na carrinha eu vi que ele tinha um daqueles relógios que também é telemóvel."
Eu: "Mas isso existe querida? Se calhar era a fingir."
Mariana: "Não mãe. Eu sei que não se deve perguntar, mas eu perguntei-lhe se ele era rico, e ele disse-me que sim. Por isso ele é rico de certeza."
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Eu: "Estás com febre Mariana."
Mariana: "Quantos degraus tenho?"
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Mariana: "Mãe, afinal a Troika não é aquela senhora que aparece na televisão (a Catarina Martins do BE) a falar."
Eu: "Pois não, a Troika não é uma pessoa Mariana."
Mariana: "Pois não! No outro dia chamaram-lhe projecto e aí eu achei muito estranho e percebi que não devia ser uma pessoa."

despedida de um "tempo" tão bom

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Registo de viagem, último.
Há uma semana atrás estávamos assim.
Ficam só as imagens, as últimas que guardámos de despedida de um "tempo" tão bom.
Para nossa memória.

sarees

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Registo de viagem, número três ...
Por onde andámos, pelas ruas de Panjim (capital de Goa), por Margão, ou nas diversas localidades que visitámos os sarees são o vestuário mais comum e utilizado pela grande maioria das mulheres.
Para quem gosta de cor como eu era um prazer observá-las e mentalmente fixar as combinações possíveis e que me pareciam resultar de uma forma fantástica. Quanto mais colorido melhor. Preto e branco não faz parte do vestuário feminino indiano.
O saree consiste num pano com cerca de 6 metros de comprimento por 1,3 metros de largura (mais ou menos) enrolado à volta do corpo de uma forma especial resultando basicamente numa saia longa drapeada em que a extremidade mais decorada (e que tem um nome especial que não percebi) é atirada por cima do ombro esquerdo. Em conjunto com este pano usa-se um top justo (que também tem um nome que desisti de decifrar) de algodão ou seda numa cor lisa de manga curta e de decote redondo que deixa a parte superior da barriga e das costas à mostra.
O preço dos sarees é muito variado e pode ir de 600 rupias ou menos (cerca de 8 euros) a alguns milhares de rupias consoante o tipo de tecido utilizado e as aplicações que fizerem na decoração da peça.
Na minha busca por tecidos indianos todas as indicações que obtive conduziram-me a um alfaiate que tinha disponíveis tecidos de algodão e uma imitação sintética de seda, e a algumas lojas que vendiam sarees.
Provavelmente em Mumbai (Bombaim) que não cheguei a visitar teria mais sorte ...
O inglês falado em Goa é muito díficil de entender, não sei se foi um problema de comunicação, mas ao fim de algum tempo acabei por achar que para as indianas que me ajudaram o pano utilizado no saree era o equivalente a "fabrics" ou "raw silk". Acabei por me conformar e comprei quatro panos de saree, os dois primeiros mais baratos pareceram-me óptimos para serem usados como toalhas de mesa. Os dois últimos, um estampado e o outro feito de fio tingido, são de melhor qualidade e ainda não decidi bem o que vou fazer com eles. O estampado é capaz de vir a dar para algum vestido ou calças para o Verão. Quanto ao útimo acho que o vou guardar.
Embora o saree seja de facto o mais comum também se encontram outras peças baseadas em túnicas e calças que são engraçadas. Ao visitar uma das lojas que me indicaram, a Fabindia, fiquei com uma boa referência sobre o tipo de peças possíveis e os nomes que lhes dão.
Confesso que esta história dos sarees vs tecidos baralhou-me e ainda me vai exigir mais alguma investigação.

as casas dos portugueses em Goa

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Registo de viagem, número dois ...
Em 1961 os portugueses que aqui viviam tiveram que deixar Goa.
Os testemunhos de mais de 400 anos de permanência nesta região são mais que muitos.
A influência na comida. Em todos os restaurantes onde passei encontrei quase sempre "caldo verde" e "chourizo", e estes eram os mais evidentes. Com um pouco mais de atenção descobria outros pratos com semelhanças à cozinha portuguesa. Independentemente da influência ou não adorei a cozinha goesa e esta é seguramente uma das coisas que me deixou saudades.
Os nomes. Muitas das pessoas tinham apelidos portugueses: Santos, Silva, Rodrigues, ... Imensas ruas, locais, e edifícios públicos como hospitais, por exemplo, mantém os nomes originais. A grande maioria das igrejas que são mais que muitas têm nomes de santos escritos em português.
É tão estranho encontrar esta familiaridade tão longe de casa. 
Mas aquilo que mais me fascinou foram as casas de habitação construídas pelos portugueses com arquitecturas muito semelhantes e que a mim me pareceram tão encantadoramente românticas.
São casas de um só piso, com telhados altos para proteger do calor, e todas elas com janelas altas sob um grande alpendre que em muitas das casas se estende a toda a volta. A entrada principal tem alguns degraus que levam a um pequeno átrio com bancos de pedra laterais. Como ao final da tarde quando o sol se põe por volta das 6h os mosquitos atacam ferozmente imagino que um dos momentos de utilização destes bancos deve ter sido ao serão.
Algumas continuam rodeadas de jardins protegidos por muros baixos de pedra mais ou menos decorados. As cores são as que nos habituámos a ver em Portugal: azuis, rosa, amarelo, suaves; em contraste às cores fortemente garridas que se vêem na pintura exterior das casas típicas goesas.
Infelizmente não consegui visitar nenhuma delas, com excepção da casa onde viveu Luis Menezes de Bragança (já falecido há muitos anos) localizada em Chandor e que é considerada a maior casa de Goa (últimas três fotografias). A pessoa que toma conta da casa não permitiu que tirássemos fotografias no interior que é absolutamente fantástico e que no seu apogeu antes da família ter sido expoliada pelo Estado deve ter sido uma das casas mais luxuosas e ricas que existiram nessa época. Do recheio ainda "sobrevivem" verdadeiras preciosidades cuidadosamente mantidas pelos últimos membros da família: candelabros de Murano, loiça decorativa antiga chinesa lindíssima, serviços de jantar, e mobílias com peças girissimas como uma "cadeira de namorados" encantadora que estava junto a uma das varandas.
Dois pormenores curiosos nesta casa e que percebi serem característicos em Goa são as janelas que em vez de vidraça tinham "lâminhas" muito finas de concha e os quadros pendurados nas paredes estarem apoiados em suportes com a forma de mãos. No caso das janelas, segundo nos explicaram, o recurso às conchas permitia proteger da entrada do ar quente e mantinha a luminosidade. O efeito é girissimo (penúltima fotografia).
Só consegui fotografar algumas das casas mais próximas da estrada, mas existem imensas, e o guia que nos acompanhou disse-nos que muitas delas estavam actualmente a ser compradas e recuperadas por alemães e ingleses. Espero que sim ... porque é uma pena ver o estado de abandono e degradação em que se encontra a maioria.
Olhando para estas casas sente-se a nostalgia de outros tempos.
Fica-me a imagem de um local que parece ter ficado parado algures lá atrás, abandonado à pressa, que se foi degradando pelo tempo, e dos quais só resta um bocadinho do "brilho" e da beleza de outrora.
Simplesmente, adorei as "casas dos portugueses".

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