memórias, linhas e galões antigos

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Galões com mais de 50/60(?) anos cuidadosamente guardados. Quaisquer 10cm são aproveitados. Alguns ainda estão com as etiquetas dos Armazéns Grandella.
Este nome trouxe-me à memória pedaços da minha infância sobre as vezes que lá fui com a minha mãe. Subir a escadaria e percorrer as salas que na altura me pareciam enormes; olhar os tecidos, linhas, ... e outras coisas mais, e esperar e desesperar até que finalmente decidia o que comprar, e vínhamos embora, para irmos lanchar à Suiça onde o meu prémio era pedir um batido de chocolate. Agora tenho saudades desses tempos!
Restos de linhas de bordar muito bem enroladinhas e guardadas num velho saco de plástico, de uma farmácia na Baixa, dos tempos em que bastavam 5 dígitos para se ter um número de telefone.
Linhas de seda para bordar, que apesar do tempo que passou mantém cores e um brilho fantásticos, enroladas em bobines de cartão feitas e recortadas em casa a partir de caixas velhas.
Memórias de um tempo em que nada se deitava fora porque não fazia sentido que assim fosse. Desperdiçar não fazia parte da História. E só se deitava fora quando já não havia outro remédio mesmo.
Memórias de uma pessoa que mal conheci e que fez trabalhos fantásticos que actualmente tenho a sorte de admirar. Recentemente até soube que alguns dos naperons foram bordados sobre tecido que produziam em casa a partir do linho que plantavam e que depois tratavam e teciam.
Memórias de um tempo em que o "saber fazer" passava de mães para filhas em casa, sem internet, sem on-line, sem workshops, e outras coisas assim.
Este fim-de-semana tinha mais um saco destas coisas à minha espera em casa da Avó M. Enquanto abria os saquinhos e separava os conteúdos, a imaginação era mais que muita, e a minha vontade varia entre guardar tudo isto intacto, ou encontrar ideias que lhes dêem uso.
Por enquanto ficam guardados!

continuando no prêt-à-porter ... e do fim-de-semana

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Noutro estilo, ... estes também têm a sua graça!
Meros registos de inspirações (ou post-it's como lhes tenho chamado) para as minhas modestas habilidades no campo da costura.
Mais um fim-de-semana à porta e à sexta-feira dá-me sempre para imaginar e listar as mil e uma coisas que gostaria de conseguir fazer em apenas dois dias.
Sonhar é bom ... :)

prêt-à-porter?

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Não percebo rigorosamente nada de moda.
E normalmente também não ligo muito a modas, mas desde que uma parte dos meus interesses se voltou para os tecidos e para a confecção de roupa (leia-se aprender a costurar roupa) que é inevitável não me interessar também pelas revistas do género.
O facto já ter feito o curso de moldes também ajuda a que estas revistas tenham um novo interesse. Adivinhar os modelos base e respectivas transformações que deram origem às peças apresentadas também é um "jogo" que nos ensinaram e que é bem engraçado de se fazer.
De entre todos os que vi até agora, no meu top 5 continua a estar Ralph Lauren.
Pelas cores, pelos tecidos, pela simplicidade e pela elegância do que apresenta.
E este ano em especial: pelo salero! Um must!

vaidosices

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Ofereci a mim própria.
Comprado na Azulado onde há mais umas peças que compraria.
No Etsy encontra-se um mundo de pessoas simpáticas que fazem coisas originais e com muito bom gosto.

pelo Alentejo

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Aproveitámos bem o único dia de sol desta Páscoa. Pelo Alentejo, a passear, por Mora (para visitar o Fluviário), por Montemor-o-Novo, e por esses caminhos até Évora.
Teremos que voltar um destes dias!

tem mais encanto

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Apesar da chuva intensa não seria possível passar por Coimbra sem a visitar.
Encontrar um estudante de capa. Percorrer ruas estreitas daquelas que gosto, subir e descer, coscuvilhar pelas janelas ou portas entreabertas (discretamente!) e pensar na tradição imensa de um sítio assim. Invejo o orgulho de quem aqui estudou.
Foi uma surpresa encontrar tantos turistas. Aparentemente éramos dos poucos portugueses no meio deles.
E encontrei mais um Café tradicional - o Café de Santa Cruz!
Mais uma vez, se nos conseguirmos abstrair de muitos dos edifícios que construiram nos últimos 30/40 anos podemos perceber o encanto de uma cidade assim!

aprendizes

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Nos meus passeios até à Livraria Barata além das revistas do costume, ocasionalmente, escolho uma revista diferente.
Desta vez ao folhear a Monocle de Abril encontro um artigo que dá início a uma nova rubrica chamada "Master and Apprentice" que conta histórias sobre a passagem de conhecimento, no "saber fazer" pela prática e pela experiência, entre um mestre numa determinada profissão e um aprendiz.
Na primeira história a profissão em causa é a de alfaiate e conta o caso de um rapaz que vivia em Seoul onde se licenciou como engenheiro na área do IT, e depois resolveu mudar de vida. Inscreveu-se num curso de "pattern design" em Milão e após o concluir, depois de várias tentativas, lá conseguiu ser admitido como aprendiz num alfaiate antigo na mesma cidade. E até parece que é feliz.
Este artigo chamou-me a atenção porque falava de costura (of course!), e também pelo facto de mencionar o dito curso de "pattern design".
Dizer que existe alguma semelhança será abusivo da minha parte, mas eu que estudei matemática e trabalhei quase toda a minha vida na área do IT, recentemente (nos últimos 6 meses) dei por mim a fazer um curso de moldes (ou seja, "pattern design") ao fim-de-semana. Porque sempre gostei de desenhos técnicos e porque achei piada à possibilidade de desenharmos ou adaptarmos a nossa própria roupa.
Não estou como aprendiz num alfaiate (e até não me importaria de estar), mas estou a aprender a costurar.
É engraçado e curioso encontrar estas histórias. Cada vez dou mais valor ao "saber fazer" e é engraçado constatar que há mais quem pense assim.
É óbvio que a ideia do rapaz de Seoul é outra, bem mais séria, e inteligentemente pensada por quem cedo parece saber o que quer da vida.
Para mim, a ideia (mais modesta) tem a ver com a capacidade de aprender um ofício e ser capaz de produzir peças originais com as nossas mãos, o mais perfeito possível, apesar das imperfeições do trabalho manual que as tornam únicas. É algo que cada vez me seduz mais.
Há tempos atrás ouvi alguém dizer que estudar e ter um curso superior é importante, mas também é igualmente importante, nos tempos actuais, aprender um ofício seja ele qual for.
Para quem como eu sempre trabalhou no dito sector da economia dedicado aos "serviços" posso declarar que contrariamente ao que acontece na prestação de serviços, neste caso, o exercício em si nos liberta o "espírito", e no fim, ao olhar para o produto final deixa-nos uma sensação de realização que é altamente reconfortante e recompensadora.
Gostaria, um dia, de me considerar uma "aprendiz" :)

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